O Plano Estratégico dos Museus que acaba de vos ser apresentado reflecte a preocupação desta equipa do MC em abordar a gestão do nosso património museológico e dos equipamentos culturais na área da museologia, numa perspectiva focada na identificação dos problemas que o sector apresenta e na busca de soluções concretas, integradas numa lógica de respeito pela coisa pública, pelo respeito pelo cidadão a quem se destinam, e pela percepção dos sinais do nosso tempo, que têm vindo a introduzir na sociedade contemporânea diversos factores que têm que ser tidos em conta numa reflexão responsável sobre esta temática:
- As alterações progressivas nas formas de fruição cultural
- A elevação de expectativas e maior exigência de públicos mais informados,
- O surgimento de modelos de gestão interactivos que podem e devem ser aplicados às instituições culturais,
- Uma maior consciência de co-responsabilização social do sector privado em relação à cultura
- Um posicionamento cultural mais aberto à interdisciplinaridade
- O surgimento de meios mais eficazes de comunicação e percepção generalizada da eficácia do marketing
- O progressivo esbater de fronteiras entre aquisição de saber, cultura, prazer e entretenimento
- Uma maior consciência do que significa economia cultural
- Melhor poder de compra e maior consciência por parte do cidadão do valor intrínseco da cultura.
A análise comportamental dos destinatários da acção cultural pública é fundamental para se retirarem as indispensáveis ilações sobre como podemos cumprir melhor os nossos objectivos, e nesse sentido, em matéria de gestão cultural para os Museus e demais espaços museológicos, é necessário munirmo-nos de uma visão clara que procure dar respostas concretas aos desafios do tempo em que vivemos, mais aberto, mais interactivo e mais projectado para o futuro e para a qualidade de vida dos cidadãos.
Como foi referido, as valências que se exigem ao director de um museu são inúmeras e complementares, e são colocadas à prova na sua gestão diária, obrigando a novas formas de resposta, mais criativas, flexíveis, mas também multidisciplinares, do conhecimento técnico à angariação de fundos, da gestão de recursos humanos - profissionais e voluntários -, ao desenvolvimento de acções de marketing cultural, do estabelecimento de parcerias público-privadas ao fomento do turismo cultural como fonte de sustentabilidade financeira, só para citar alguns exemplos.
A circunstância dos museus estarem na dependência da Administração Central não deve ser inibidora de novas soluções. Um museu é um espaço aberto, que pode e deve oferecer serviços e bens associados à experiência cultural que subjaz à sua actividade principal, como o merchandising personalizado, ou as cafetarias e restaurantes, que poderão ser geridas por profissionais, num modelo de concessão a terceiros.
É preciso valorizar e incrementar a ligação efectiva dos cidadãos aos seus Museus – pretendemos que estes sejam espaço de fruição cultural e simultaneamente, espaço de prazer.
No quadro desta redefinição de perfis e competências, é fundamental assumir inequivocamente o objectivo nuclear de estabelecer uma relação mais estreita entre o património e as respectivas comunidades, única forma de garantir a revitalização das estruturas e de promover o dinamismo, a longevidade e a reinvenção dos museus; e divulgar maior e melhor conhecimento e contribuir para o desenvolvimento dos cidadãos.
O desafio que agora lançamos significa também um esforço aos técnicos e dirigentes que colaboram nas estruturas do IMC e nas suas dependências, pelo que estamos cientes de que deve ser retribuído em igual medida, com uma forte aposta na formação contínua, a fim de desenvolver capacidade de resposta aos desafios de mudança do século XXI.
Este exercício de reflexão sobre os modelos actuais de gestão e os seus desfasamentos relativamente ao tempo em que vivemos, bem como as orientações futuras com vista à concepção contemporânea de cultura que se pretende implementar, são um primeiro exemplo das políticas estratégicas sectoriais que pretendemos desenvolver, de forma integrada, com o intuito de incutir uma abordagem coerente e transversal ao Ministério.
Por último, quero frisar que:
Todos estes objectivos em nada alteram o cerne fundamental da missão museológica: a preservação, estudo e enriquecimento das colecções e acervos, numa perspectiva científica e histórica condigna com a nobreza do seu conceito primordial! Que isto fique bem claro! Todas as nossas ambições expressas no Plano Estratégico hoje apresentado, servem, em primeira e última análise este propósito. São apenas novos “meios” para atingir o mesmo “fim”.
Tais como se encontram também em estudo :
- A criação de um Cartão Cultura que permita o acesso a museus, palácios, monumentos e sítios afectos ao MC
- A criação de bilhete-passe e de transportes específicos que sirvam uma conjunto determinado de Museus, nomeadamente no eixo Ajuda-Belém
- A criação de novas medidas legislativas de claro incentivo e valorização do voluntariado
- A criação de um programa de Estágios em organismos do IMC
E, um dos meus maiores desejos, (que só poderá ser possível após o desenvolvimento de medidas complementares de financiamento específicas para os Museus, tal como o Cheque-Obra que foi criado para o Património) – a instituição de entradas livres em todos os Museus do IMC para residentes em Portugal.
Mas temos ainda quase uma legislatura inteira à nossa frente...asseguro-vos que aproveitaremos todo o tempo que dispusermos para catapultar o nosso património móvel, material e imaterial para o plano do quotidiano de todos nós e para com ele nos orgulharmos da nossa história e da nossa cultura.
Termino anunciando o nome do novo director do Museu Nacional de Arte Antiga: o Professor Doutor António Filipe Pimentel.