A Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, e o Secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, em nome do Governo e em seu nome pessoal, expressam consternação e sentido pesar pelo falecimento do Professor Doutor Vitorino Magalhães Godinho, personalidade notável, investigador de elevada craveira científica, historiador ímpar, e cidadão corajoso e exemplar.
Discípulo dos maiores nomes da Historiografia do século XX português e europeu, foi mentor de várias gerações de intelectuais portugueses e estrangeiros, tendo dedicado a sua inteligência superior, a sua determinação rara, toda uma vida, enfim, ao estudo aprofundado e ao ensino inigualavelmente qualificado da História como forma de pensamento.
Breve nota biográfica
Vitorino Magalhães Godinho (Lisboa, 1918 – 2011)
Historiador, investigador e professor universitário de renome internacional, o Professor Vitorino Magalhães Godinho foi um académico de influência magna, de valor seminal e um exemplo superior de cidadania activa. Licenciado em História e Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa, em 1940, fez o doutoramento de Estado na Sorbonne, Paris, em 1959, com a mais alta menção. Membro destacado da escola dos Annales, de H. Bloch e Lucien Febvre, foi também discípulo de F. Braudel.
Leccionou e desenvolveu diversificados trabalhos de investigação na Universidade de Clermont Ferrand, na Faculdade de Letras de Lisboa (que foi forçado a abandonar por incompatibilidades entre a sua intervenção cívica e democrática e a ditadura de Salazar), no Centre National de la Recherche Scientifique, na École Pratique des Hautes Études, na Faculdade de Filosofia e Letras de São Paulo (Brasil), foi professor catedrático do Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina, de Lisboa, do qual foi demitido em razão da crise académica de 1962.
Foi um dos pioneiros das Ciências Sociais em Portugal, ministro da Educação a seguir a Abril de 1974 e, desde 1975, professor catedrático da área de Ciências Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde coordenou o Departamento de Sociologia, constituindo-se como referência absoluta para a construção da instituição.
Director da Biblioteca Nacional, em 1984, veio a demitir-se do cargo por incompatibilidades de metodologia com o organismo da tutela; manteve-se, todavia, activo como investigador e uma das mais proeminentes personalidades da historiografia portuguesa, duma riqueza informativa ímpar no que respeita à história moderna, que ele dominou de forma singular e inigualável.
Da sua vasta obra, são marcantes Os Descobrimentos e a Economia Mundial (1963-1971), os estudos reunidos nos Ensaios (1967-71), A Estrutura da Antiga Sociedade Portuguesa (1971) e a série de artigos escritos para a publicação que dirigiu entre 1978 e 1990, Revista de História Económica e Social.