Discurso proferido por S. Exa. o Ministro da Cultura, no Rio de Janeiro.
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
A cerimónia que hoje testemunhamos, como todos sabemos, não celebra simplesmente a recuperação e restauro da galeota de D. João VI.
Celebra toda uma herança cultural e histórica comum a Portugal e Brasil e celebra todo o nosso orgulho nessa herança comum.
A participação do Grupo Espírito Santo, e particularmente da Espírito Santo Cultura, nesta recuperação é extremamente significativa, porque exemplifica a nossa preocupação comum com o passado e com uma herança, material e imaterial, que serve para construir identidades particulares de cada lado do Atlântico.
Uma herança que serve também para sublinhar uma comunhão de interesses que não deve ser subestimada, antes deve ser projectada e dinamizada ao longo deste século.
No presente contexto internacional, todos nós nos apercebemos do mútuo benefício que poderá resultar de uma estreita cooperação entre Brasil e Portugal.
O Brasil poderá beneficiar da posição de Portugal no seio da União Europeia, Portugal poderá beneficiar da posição única que o Brasil detém na América do Sul e, de um modo geral, em toda a América Latina.
Hoje, mais que nunca, é indispensável compreender a dinâmica que se pode gerar com uma estreita cooperação no seio da CPLP, a nível oficial e a nível empresarial.
Esta iniciativa da Espírito Santo Cultura é particularmente relevante no momento em que se celebram os 200 anos da chegada da família real ao Brasil.
Por um lado, é relevante porque é uma iniciativa que vem coroar simbolicamente todo um conjunto de outras actividades que a Espírito Santo Cultura tem vindo a desenvolver no Brasil desde a sua fundação, em 1998.
Por outro lado, é extremamente relevante porque destaca a importância de entidades privadas na intervenção cultural e patrimonial e na dinamização de actividades de cooperação entre os nossos dois países.
É este paradigma de dinamismo e preocupação de natureza cultural que devemos continuar a desenvolver e aprofundar bilateralmente, procurando promover a sua aplicação alargada no seio da CPLP.
O percurso dos nossos dois países na comunidade internacional do século XXI deve reflectir cada vez mais a percepção de que temos grandes parceiros no seio da CPLP, parceiros cuja posição estratégica e cujos potenciais económicos deverão devidamente entendidos e aproveitados.
É por isso que, reconhecendo o papel fundamental da Espírito Santo Cultura no desenvolvimento e aprofundamento dos laços culturais dos nossos dois países, exorto o grupo a alargar a sua actividade cultural no âmbito da CPLP, contribuindo decisivamente para o fortalecimento da coesão e da pujança desta comunidade no século XXI.
Muito obrigado!
