TOMADA DE POSSE DO DR. PAULO HENRIQUES – MNAA
Intervenção da Senhora Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima
Tomada de Posse do Dr. Paulo Henriques – MNAA
Lisboa, 14 de Setembro de 2007
Exma. Direcção do Instituto dos Museus e da Conservação,
Exmo. Director do MNAA, Dr. Paulo Henriques,
Exmos. Directores aqui presentes,
Senhores Jornalistas,
Minhas Senhoras e Meus Senhores:
Hoje assinala-se o início de um novo ciclo de vida no Museu Nacional de Arte Antiga, instituição de referência do nosso património museológico. A tomada de posse do Dr. Paulo Henriques configura um virar de página na orientação programática desta casa, que desde já saúdo!
As instituições precisam de se renovar. Não devemos temer a sua mudança, nem partir do princípio que o que nos parece bem não pode ou não deve ser melhorado. Há sempre novos horizontes a explorar, assim haja a coragem de questionar e reflectir sobre práticas instaladas. Fazer mais, melhor e diferente é possível. A Excelência tem que ser a meta da Administração Pública!
Ao Dr. Paulo Henriques, detentor de um brilhante curriculum na área da Museologia e Museografia, desejo, em primeiro lugar, o maior sucesso nas funções que acaba de assumir! Estou certa que o seu projecto vai permitir ao MNAA potenciar o seu prestígio como instituição de referência na área da História de Arte, tanto em Portugal como no estrangeiro!
Entendo como absolutamente fundamental a sua opção pelo reforço da componente de investigação em torno das colecções do Museu. Esta é uma via que abre múltiplos caminhos, promovendo, nomeadamente, a internacionalização e a descentralização de um acervo de valor inquestionável!
Considero que os Museus são, em primeiro lugar, instituições orientadas para o estudo e para o conhecimento! O MNAA possui um impressionante acervo de cerca de 40 mil peças, muitas delas confinadas às reservas. Um património desta natureza, desta grandeza, exige um trabalho continuado de investigação e avaliação, quer por parte dos quadros técnicos da casa, quer por parte da comunidade científica nacional e internacional.
Por outro lado, estamos perante um imenso espólio que deve ser dado a conhecer aos portugueses e ao mundo, e que pela sua extensão e riqueza oferece múltiplas hipóteses de organização temática, no âmbito de exposições que devem percorrer o país e que podem ser internacionalizadas, no âmbito da política de itinerância e descentralização defendida pelo Ministério da Cultura.
Se é certo que, nos tempos que correm, a gestão de um Museu exige uma eficaz política de marketing e de comunicação, a verdade é que essa vertente de abertura ao exterior não deve ser sobrevalorizada e só faz sentido se for acompanhada de um atento e rigoroso “olhar para dentro”. Sem um trabalho científico, ponderado e criterioso, na retaguarda, investir em imagem passa a ser um esforço supérfluo e inglório a médio prazo porque não sustentado na primeira riqueza de um museu, as suas colecções, o seu acervo.
Uma orientação programática vocacionada para a itinerância – baseada na articulação com as demais instituições museológicas de norte a sul do território – vai permitir recolocar o MNAA no centro do panorama museológico português. O Museu de Arte Antiga não é o Museu de Arte Antiga das Janelas Verdes, nem da cidade de Lisboa, é o Museu de Arte Antiga do país inteiro! Por isso lhe chamamos Nacional!
É premente relançar uma nova política para o Museu de Arte Antiga. Refira-se que no primeiro semestre de 2007 o MNAA registou um assinalável decréscimo de visitantes, deixando de ser o segundo Museu mais visitado (a seguir aos Coches). Estou certa que a nova filosofia de programação vai inverter esta tendência.
E embora considere que o número de visitantes é somente um dos diversos indicadores que testemunham a boa gestão de um museu – não se trata de uma competição, naturalmente! - entendo que devemos ser ambiciosos quanto ao objectivo da conquista de públicos para a Cultura! Essa é uma tarefa que deve ser assumida com entusiasmo por todos os directores de Museus, de Palácios, de Monumentos ou de outros organismos com responsabilidades na divulgação do nosso património cultural.
Tenho a firme convicção que a nova linha programática do Museu, pela sua consistência e seriedade, vai permitir recuperar público de todas as idades para este espaço nobre da cidade, designadamente através da reanimação dos Serviços de Educação e Divulgação, que não têm sabido explorar todas as virtualidades e oportunidades. Uma atenção muito focalizada no público escolar tem vindo a afirmar-se como vector prioritário da política museológica do IMC, opção que tem todo o apoio da
Quero aproveitar ainda esta ocasião para reiterar a minha confiança na direcção do IMC, recentemente reconduzida no âmbito do PRACE e que tem vindo a enfrentar com tenacidade e dinamismo novos e estimulantes desafios que se colocam hoje no que concerne à modernização da oferta museológica nacional e à gestão do IMC. Com a nova lei orgânica o IMC introduzirá alterações no modelo de gestão dos museus, que vêm, de resto, ao encontro de pontos de vista há muito defendidos pelos seus directores.
Destaco, nomeadamente, que a nova Lei Orgânica traduz uma crescente autonomia na gestão dos orçamentos dos Museus, permitindo a afectação directa de parte das receitas por eles geradas. Estamos a falar, por exemplo, do mecenato directamente conseguido pelos museus, aluguer de espaços, actividades dos serviços educativos ou outras acções de iniciativa própria dos Museus, bem como comparticipações obtidas em projectos de investigação ou outros.
O IMC cresceu em responsabilidades, passando a ter agora a seu cargo a gestão dos palácios da Ajuda, de Sintra, de Mafra, de Queluz e o Paço dos Duques, isto é, todos quantos apresentam colecções musealizadas. Com esta decisão da mudança de tutela dos Palácios do ex-IPPAR para o recém-criado IMC termina uma discussão que tem cerca de 15 anos e cuja solução foi sendo sucessivamente adiada.
Uma das principais prioridades estabelecidas pelo Ministério da Cultura para o Instituto dos Museus e da Conservação é a melhoria dos padrões de qualidade. Significa isto que a qualificação dos museus e palácios do Ministério da Cultura continuará a ter lugar nos próximos anos, agora com apoios do QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional); mas também que prosseguirá a credenciação de novos museus que integrarão a Rede Portuguesa de Museus; e que será concretizado o processo de certificação de conservadores-restauradores.
Uma outra prioridade da política museológica é a de fomentar as parcerias e a transversalidade de projectos. O esforço de consolidação das contas públicas, objectivo para o qual todos os responsáveis da Administração Pública têm de concorrer, determina, no caso dos museus, a necessidade de fomentar e alargar parcerias, promovendo a realização e itinerância de exposições entre museus e palácios do IMC, e alargando essas itinerâncias ao conjunto dos museus da RPM, independentemente da tutela de que dependem.
Cada vez mais, a articulação entre os museus outras entidades, como sejam as universidades e outros centros de conhecimento, as escolas e os jovens, as autarquias e as associações, é indispensável ao cumprimento pleno das funções museológicas, a uma completa inserção e reconhecimento dos museus e palácios pelas comunidades amplas onde se inserem e que devem servir, no cumprimento dos seus objectivos de serviço público.
Sublinho ainda que o IMC passará também a tutelar a Galeria D. Luís I, no Palácio da Ajuda, que ganhará novo fôlego com uma programação cuidada, e que abre as suas portas ao público no próximo dia 26 de Outubro, após ter sido submetida a profundas obras de qualificação. A exposição inaugural provém do Museu russo Hermitage e intitula-se «De Pedro, o Grande, a Nicolau II – Arte e Cultura no Império Russo».
Doravante a Galeria D. Luís I, com os seus mais de mil metros quadrados, passará a ser uma dos equipamentos culturais do país com melhores condições expositivas, destinad a ser um novo palco para mostras temporárias dos Museus e Palácios tutelados pelo IMC de norte a sul do país, bem como um novo espaço para a Arte Contemporânea. A Galeria D. Luís passará a estar vivamente presente no roteiro cultural da cidade de Lisboa.
Termino deixando uma palavra muito especial a todos os directores e a todos os funcionários dos Museus. É do trabalho deles, diário, discreto, muitas vezes silencioso, que depende o sucesso de cada instituição.
É com satisfação que vejo hoje aqui presentes muitos desses directores, conservadores e outras pessoas ligadas ao universo da museologia, comprovando quer a importância que todos reconhecemos à tomada de posse do Director do Museu Nacional de Arte Antiga, como museu de referência no panorama nacional, quer o consenso em torno da nomeação do Dr. Paulo Henriques para as funções de que agora toma posse.
Ao Director do MNAA quero reiterar os meus votos de bom trabalho neste novo fôlego que importa dar ao MNAA!
A todos, Muito Obrigada!