Ministério da Cultura

 ENTREGA DOS PRÉMIOS DA CRÍTICA MENSAGEM À ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE CRÍTICOS DE TEATRO NO TEATRO NACIONAL D. MARIA II 

26-03-2007 

Discurso do Secretário de Estado da Cultura, Mário António Pinto Vieira de Carvalho, por ocasião da entrega dos Prémios da Crítica Mensagem à Associação Portuguesa de Críticos de Teatro no Teatro Nacional D. Maria II, a 26 de Março de 2007

Gostaria de aproveitar a ocasião da entrega do Prémio da Crítica de 2006, atribuído pela Associação Portuguesa dos Críticos de Teatro, para salientar a importância deste galardão, como parte integrante da acção que esta Associação tem vindo a desenvolver e que constitui um contributo inestimável para a dinamização e qualificação da actividade teatral em Portugal.

A presença do teatro na esfera pública – o teatro como objecto de um discurso crítico, de controvérsia, diálogo, entrevista ou simples notícia – depende essencialmente da actividade dos críticos teatrais, enquanto profissionais ou especialistas que estudam ou investigam o teatro e os seus protagonistas na história e na actualidade, as suas poéticas e as suas estéticas, as suas estratégias de comunicação, as suas condicionantes sócio-culturais e políticas.

Se o teatro não existe sem autores, sem actores, sem encenadores, sem cenógrafos, sem dramaturgistas, sem técnicos de cena, sem directores, sem espaços ou salas em que a comunicação se estabeleça, e, naturalmente, sem o público, também não existe sem críticos, pois um teatro que não fosse debatido, que não fosse interpelado tanto quanto ele próprio interpela, seria um teatro morto.

A cultura teatral é esse todo constituído pelos que o fazem, os que o frequentam e os que, para além de o frequentarem, também o pensam e criticam. Tanto mais de saudar é, por isso, que os críticos se tenham organizado numa associação, assumindo a unidade de acção na diversidade dos pontos de vista, procurando assim intervir conjuntamente de uma forma estruturada para o desenvolvimento da actividade teatral.

Através dos seus prémios anuais bem como através da sua revista Sinais de cena – cujo conteúdo documental e ensaístico testemunha a vitalidade do teatro que se faz em Portugal, e cuja qualidade gráfica também a coloca, sem dúvida, entre as melhores publicações periódicas no género à escala internacional – a Associação Portuguesa de Críticos de Teatro cumpre uma missão insubstituível: a de questionar e refazer o cânone, num diálogo sempre inconcluso, não raro polémico, com os criadores.

Reconhecendo a relevância dessa missão, cujo contributo para o próprio trabalho de avaliação e acompanhamento das estruturas apoiadas pelo Instituto das Artes deve ser igualmente sublinhado, o Ministério da Cultura, através do referido Instituto, futura Direcção-Geral das Artes, manifesta a sua disponibilidade para celebrar com a Associação Portuguesa de Críticos de Teatro um protocolo de cooperação.

Nesta ocasião de celebração, termino com as mais vivas felicitações aos artistas distinguidos com o prestigiado prémio da APCT.