Ministério da Cultura

 LANÇAMENTO DA VOTAÇÃO «7 MARAVILHAS DE PORTUGAL» 

07-12-2006 

Discurso da Ministra da Cultura Maria Isabel da Silva Pires de Lima na conferência de imprensa para lançamento da votação «7 Maravilhas de Portugal», em Lisboa

Exmo. Senhor Professor Freitas do Amaral,
Exmos. Responsáveis pelo projecto «7 Maravilhas»,
Exmo. Senhora Vice-Presidente do IPPAR, Arqª Andreia Galvão
Minhas Senhoras e Meus Senhores:

Ao longo dos tempos, a edificação de Património tem sido, seguramente, uma das manifestações mais visíveis da genialidade humana. Atraído, porventura, pela necessidade de inscrever a sua marca, de deixar testemunho, o Homem tem sido capaz de erguer os mais impressionantes conjuntos monumentais, tantas vezes desafiando os elementos, a natureza, a geografia. Tornando possível o impossível, superando as suas capacidades, materializando o sonho.

Quando admiramos um determinando monumento, é importante que tenhamos consciência da profunda dimensão humana que nele habita. Do longo e sinuoso caminho que medeia entre o ideal projectado e a obra feita. Neste sentido, os Monumentos são de facto «maravilhas», não tenhamos dúvidas! Neles se reflectem algumas das mais elevadas capacidades humanas: a criatividade, a determinação, a força, o engenho e a arte!

Num mundo globalizado, como este em que vivemos hoje, os países têm no património construído um dos seus mais fortes elementos identitários. Os Monumentos, enquanto legado de uma História que é comum a uma determinada comunidade, desempenham um importante papel enquanto factores indutores de coesão social, de uma partilha de atitudes e valores.

Já o disse noutras ocasiões, e devo repeti-lo: um país que investe, que valoriza e que comemora o seu Património é um país que se celebra a si próprio! E tenhamos consciência que falar de Património é falar do tempo presente e do tempo futuro, de pessoas que interagem e que se identificam em torno de uma História comum, de uma cultura partilhada, de raízes que nos tornam mais solidários, enfim, cidadãos realmente mais plenos, mais completos.

Por todas estas razões, entendo que o Património Histórico Edificado constitui, inequivocamente, uma das nossas maiores riquezas! E que entre os nossos maiores desafios figura a extraordinária tarefa de zelar pela sua salvaguarda, preservação e dinamização, tarefa essa que só pode ser levada a bom porto mediante o envolvimento de todos e de cada um nós, Estado, entidades públicas e privadas, cidadãos representados a título associativo ou individual.

Quero, muito vivamente, saudar a iniciativa «7 Maravilhas de Portugal», bem como o projecto «Novas 7 Maravilhas do Mundo» por considerar que se trata de uma fórmula original, criativa e construtiva de se chamar a atenção para o Património, promovendo o debate em seu torno, e fomentando em seu redor uma vivência festiva. Gostaria também de saudar, em particular, o professor Freitas do Amaral, que ao aceitar ser Comissário deste evento, em muito o prestigia e engrandece.

O Património é uma indiscutível base de coesão social no contexto das sociedades cada vez mais plurais, potenciando desejáveis sentimentos de pertença a um grupo, de integração cultural e de auto-estima colectiva e, dessa forma, intervindo de forma directa e activa na construção de um clima de paz e entendimento entre os povos.

A verdade é que as Pessoas são a razão de ser, o fim último de qualquer política patrimonial. Se preservamos, se cuidamos dos Bens Patrimoniais – sejam eles móveis ou imóveis – é porque entendemos que do seu usufruto retiramos bem-estar e uma mais-valia, seja ela de natureza intelectual, afectiva ou simplesmente de lazer.

Ganhando o Património, ganhamos todos!

Destaco que no âmbito do Ministério que dirijo, este é um sector em pleno crescimento. O PRACE (Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado) estabelece o nascimento de um novo organismo, o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar).

Com ele, tornam-se maiores as nossas responsabilidades face à Defesa e Salvaguarda do Património. O desafio é maior, o entusiasmo também. Recordo que o Ministério da Cultura passa a co-tutelar, com o Ministério do Ambiente, o arquivo do Património Classificado actualmente pertencente à DGEMN (Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais) e que, na nova macroestrutura, transita para o Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana.

Trata-se de um arquivo ímpar em Portugal, pelo que a sua co-tutela muito nos prestigia.

Por outro lado, quero também sublinhar que a dinamização, abertura e fruição ao público dos monumentos nacionais será uma prioridade no contexto do próximo quadro comunitário de apoio. O QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional) privilegiará o estabelecimento de parcerias entre autarquias, associações, fundações e o IPPAR, tendo por objectivo o desenvolvimento de programas de animação do património histórico. Pretende-se igualmente promover o funcionamento em rede de determinados segmentos de património que permitam ao grande público obter perspectivas de enquadramento temático, estilístico e cronológico dos bens históricos culturais e artísticos, bem como incentivar a práticas inovadoras de gestão e animação dos Monumentos.

O investimento em Património, se bem que bastante exigente na medida em que se trata de uma tarefa nunca acabada, tem um efeito extraordinariamente multiplicador! É elemento gerador de riqueza, sendo um pilar estratégico no sector do Turismo. Como recentemente sustentou o cineasta alemão Wim Wenders num encontro europeu, ninguém ama um país pela sua Economia, mas pela sua Cultura!

Termino apelando à participação dos portugueses nesta saudável e inédita competição de cariz cultural, que decerto nos proporcionará momentos memoráveis de celebração do Património, Património esse em que todos nós nos revemos, e que a todos nós pertence!