Discurso da Ministra da Cultura Maria Isabel da Silva Pires de Lima na apresentação do Plano Nacional de Leitura
Exma. Senhora Ministra da Educação, Prof. Maria de Lurdes Rodrigues,
Exmo. Senhor Ministro dos Assuntos Parlamentares, Prof. Augusto Santos Silva
Exma. Senhora Comissária do Plano Nacional de Leitura, Dra. Isabel Veiga Vilar
Senhores Jornalistas,
Minhas Senhoras e Meus Senhores
O Plano Nacional de Leitura é uma prioridade política deste governo. No entanto, é nossa ambição que, de prioridade política, se torne prioridade de toda a sociedade portuguesa. Os objectivos nele delineados só poderão ser cumpridos mediante o envolvimento dos vários sectores sociais, das diversas classes profissionais, da comunicação social, de todos e de cada um de nós.
O Plano Nacional de Leitura é um projecto à escala nacional onde ninguém fica de fora: dirige-se a todas as idades, e extravasa os contextos convencionais de leitura. Ao governo coube conceber esta estratégia de dimensão sem paralelo. É dever dos governantes, é sua obrigação concentrar esforços e investimento na promoção dos níveis de literacia da população, níveis esses que, sabemos, estão aquém do patamar desejado.
Apelamos agora à participação dos portugueses. Precisamos que adoptem esta causa. O Plano Nacional de Leitura só existe se passar a porta dos ministérios e chegar às escolas, às bibliotecas, às instituições de cultura, às empresas, às prisões, aos centros de dia, às ruas, às famílias.
As gerações futuras exigem de nós este empenho. Há muito que Ler é sinónimo de Saber. Mas hoje temos plena consciência que Ler é também uma forma de Poder. Porque o conhecimento, no mundo em que vivemos, se tornou bem vital, alavanca de progresso pessoal e social, uma espécie de chave mestra que nos abre muitas portas, muitos caminhos. Falamos, portanto, de um poder que é força construtiva. Um poder que nos torna mais fortes, seres humanos mais completos, cidadãos mais preparados, logo mais participativos.
Note-se que, quando falamos em Ler, já não nos referimos apenas à capacidade de soletrar e combinar letras, reconhecendo símbolos convencionados, palavras e frases. O uso mecânico de uma capacidade nem sempre envolve a apropriação consciente de informação. Estamos a falar em Leitura que propicia uma maior auto-consciência da Língua, uma mais ampla compreensão de mundos.
Transformar cada pessoa capaz de ler num efectivo leitor é o nosso desígnio. Nós queremos que os portugueses adquiram essa capacidade de Leitura crítica, intrínseca e espontaneamente interpretativa. Que dominem o universo das palavra escrita, enquadrada nos mais diversos registos, do coloquial ao literário, do técnico ao institucional. Porque a realidade é que a palavra escrita há muito que nos domina. A cada minuto que passa somos inundados com símbolos diversos e seus múltiplos significados.
Chegámos a um patamar em que a Leitura, ou mais precisamente a Não Leitura, se tornou factor de exclusão. Esta constatação exige dos governantes uma tomada de posição, uma atitude. Em defesa de valores tão altos quanto a paz social, a qualificação dos portugueses, o desenvolvimento sustentado da nossa sociedade. A atitude que tomámos tem um nome: chama-se Plano Nacional de Leitura. Envolve esforços de três ministérios, aqui representados ao mais alto nível, e pressupõe, permitam-me a imodéstia de o sublinhar, a coragem política de olhar mais longe. Este é um projecto cujos frutos se colhem no médio e longo prazo, imune, portanto, à lógica do imediato e a propósitos eleitoralistas. Há muito que Portugal precisava de um projecto assim, com rasgado e assumido sentido de futuro.
Ler é Preciso. Ler livros, ler jornais, ler artigos de ciência, ler relatórios, ler documentos, ler regulamentos, ler programas, ler apelos. Ler é viver. Quem lê, quem efectivamente lê, Sabe Mais e Pode Mais. Ou, para usar uma expressão cara aos nossos jovens, extraordinários reinventores da Língua, quem lê está «mais à frente». Com o Plano Nacional de Leitura, a nossa aposta é que ninguém fique para trás.
A literatura é a expressão mais elaborada da aplicação da palavra escrita e tem uma capacidade antecipativa singular. No Ministério da Cultura, temos particular empenho em motivar as pessoas para o contacto com esse universo verdadeiramente fantástico e estimulante, o da criação literária.