Discurso do Secretário de Estado da Cultura, Mário António Pinto Vieira de Carvalho, no encontro do ICOMOS na Universidade de Coimbra em 27 de Abril de 2006
Excelências
Em nome do Senhor Primeiro Ministro, gostaria de dar as boas vindas do governo português a todos os distintos representantes de povos, nações e culturas que corresponderam ao convite da Universidade de Coimbra, do Instituto Português do Património Arquitectónico e da Comissão Nacional da UNESCO, para este encontro sobre o património arquitectónico e arqueológico de origem portuguesa espalhado pelo mundo.
As viagens marítimas empreendidas pelos portugueses nos séculos XV e XVI foram, como é sabido, um motor daquilo a que se pode chamar com propriedade um processo de globalização. Esse processo trouxe consigo a disseminação de uma cultura, de uma crença religiosa, de uma língua, e de outros testemunhos da experiência e do saber de um povo. Os contactos com outras gentes e civilizações foram, muitas vezes marcadas pelo conflito e pela violência, pela imposição ao Outro, pela força, da verdade ou dos interesses de uma das partes. Mas foram também, em larga medida, uma oportunidade de abertura ao comércio, ao diálogo, à troca de saberes, à convivência e miscigenação das etnias, à coexistência de modos de vida e de visões do mundo plurais. Até que ponto é que a tendência à uniformização e ao domínio foi então contrabalançada pelo impulso da mútua captação do diferente como enriquecimento humano material e espiritual, eis o que compete aos arqueólogos e historiadores investigar.
Mas essa é precisamente a parte que mais nos interessa, mormente numa era de globalização acelerada como aquela em que vivemos. Portugal conta-se entre os países mais empenhados em promover o diálogo e a aliança entre as culturas. Envolvemo-nos activamente no processo que conduziu à aprovação, pela Assembleia Geral da UNESCO de Outubro passado, da Convenção sobre a Diversidade Cultural. O mesmo espírito inspira a iniciativa que hoje aqui nos reúne. Congratulamo-nos pelo facto de a proposta da Comissão Nacional Portuguesa do ICOMOS ter sido desde logo apoiada pelo Centro do Património Mundial da UNESCO e ter encontrado um eco tão alargado.
A criação de uma rede que permita identificar, preservar, estudar e tornar mundialmente conhecidos sítios arqueológicos ou monumentos ligados à presença portuguesa em diferentes continentes fará dessa herança patrimonial uma herança comum, constituindo-a como verdadeiro património da humanidade. Para além de contribuir para o aprofundamento do conhecimento da história que nos é comum, para o aprofundamento das relações de cooperação científica e cultural entre os parceiros, poderá e deverá funcionar como instrumento de desenvolvimento local. Na verdade, como hoje é geralmente reconhecido, o património e as actividades que lhe estão ligadas (educacionais ou de lazer) são importantes agentes do desenvolvimento económico e social.
Permitam-me, pois, que felicite em nome do governo português a Universidade de Coimbra, na pessoa do Senhor Reitor, insigne anfitriã deste encontro, e os seus promotores e organizadores. Faço votos do melhor êxito para os trabalhos e de uma estada feliz para os nossos convidados.