Ministério da Cultura

 INAUGURAÇÃO DA BIBLIOTECA MUNICIPAL DA GOLEGà

23-04-2006 

Discurso da Ministra da Cultura Maria Isabel da Silva Pires de Lima na inauguração da Biblioteca Municipal da Golegã
(Só faz fé a versão efectivamente proferida)

Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal da Golegã, Dr. Veiga Maltez
Exmo. Senhor Director do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Prof. Dr. Jorge Martins
Autoridades Locais
Senhores Jornalistas
Minhas Senhoras e Meus Senhores,

É extraordinariamente grato a uma ministra da Cultura visitar um concelho que assume a intervenção na área cultural como uma das suas prioridades estratégicas. A Golegã tem-se afirmado e distinguido, nos últimos anos, como uma autarquia que cuida da sua História, do seu Património, e que intervém activamente na qualificação dos seus habitantes. Em meu entender, este é o caminho certo, o caminho do futuro. Investir na Cultura é investir nas Pessoas. Por este motivo, antes de mais, quero dirigir à actual equipa camarária, e em particular ao Senhor Presidente, Dr. Veiga Maltez, os meus sinceros Parabéns pela visão, pelo trabalho desenvolvido e pela obra feita!

A Biblioteca Municipal da Golegã, cuja inauguração nos traz hoje aqui reunidos, começa por ser feliz na ocasião escolhida para o seu ""nascimento"": o Dia Mundial do Livro. Trata-se de uma data, como o próprio nome indica, assinalada à escala planetária, e plena de simbolismo para todos quantos tiveram, têm, a felicidade de saber que a vida, com livros, é mais colorida.

Que essa descoberta possa ser feita por cada vez mais e mais pessoas, é missão dos governos e dos governantes. Em sociedades cada vez mais complexas e exigentes, em que a tecnologia progride a um ritmo veloz e a torrente de estímulos externos constantemente nos desafia, ter a capacidade de ler já não é apenas saber ler. É preciso fazer coincidir o universo da Leitura com o universo da Literatura. Transformar cada pessoa capaz de ler, num Leitor de facto. Criar gerações de leitores militantes, passo à expressão. Cidadãos que, além de saberem ler, lêem com gosto e por gosto. Porque a aptidão para a leitura é somente o princípio do caminho que conduz ao admirável mundo dos Livros. E o nosso desejo é que ninguém fique a meio dessa estrada.

E o que nos traz, afinal, esse admirável mundo dos Livros? Tudo. Com os livros, através dos livros, podemos transgredir os limites físicos da nossa condição humana. Viajar no tempo e no espaço. Tanto já se disse sobre o objecto Livro, que se torna difícil não repetir ideias. Mas talvez haja vantagem, precisamente, em repeti-las. O Livro é um legado maior da nossa Civilização.

Fonte de conhecimento, de espiritualidade e de intelectualidade, ele representa simultaneamente a abertura ao outro e a capacidade de cada um se encontrar consigo próprio. A leitura de um livro, seja ele de poesia, ficção literária, ensaio ou banda desenhada, é um exercício irrepetível e inimitável, em qualquer momento da nossa vida. Ler Faz Bem e torna-nos melhores pessoas. Pessoas mais qualificadas, mais criativas e mais sensíveis. Logo, mais felizes e mais construtivas. O benefício é de cada um, mas também da sociedade no seu todo.

As Bibliotecas são templos de Livros, casas onde cabem muitos mundos, e a obra que hoje se inaugura é, estou certa, um dos investimentos mais profícuos que esta Câmara Municipal oferece à sua população. As gerações presentes e as futuras dela usufruirão, e certamente muitos serão aqueles que, neste lugar, vão despertar ou avivar o gosto pela Leitura.

Por este motivo, a Rede de Leitura Pública é há vários anos, e atravessados vários governos, um projecto de importância maior ao nível das políticas culturais. As Bibliotecas municipais são garante do acesso dos cidadãos aos livros, superando condicionalismos de ordem diversa, nomeadamente geográficos e económicos.

Neste momento, o Ministério da Cultura, através do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, já apoiou um total de 261 Municípios (incluindo Açores e Madeira), suportando 50 por cento dos custos envolvidos na viabilização destes equipamentos. Esta cifra representa já a cobertura de 84,7 por cento do território nacional, composto por 308 Municípios. A Biblioteca da Golegã vem elevar para 149 o número de Bibliotecas Municipais abertas ao público ao abrigo deste programa, o que perfaz 57 por cento dos projectos apoiados. Só em 2005 foram inauguradas 14 bibliotecas, e ao longo do presente ano esperamos inaugurar pelo menos outras 12.

A Rede de Leitura pública constitui, por todas as razões já explicitadas, uma forte aposta governamental em matéria de política do Livro e da Leitura. Mas muito mais há para fazer nesta área, sempre tomando como objectivo maior a aproximação dos cidadãos ao livro e o incentivo à Leitura. Este é, aliás, um processo no qual toda a sociedade pode ser envolvida. Hoje mesmo, durante a manhã, pude observar in loco o esforço meritório de instituições hospitalares que apostam em apetrechar as suas unidades de pediatria com bibliotecas destinadas às crianças.

O ministério que dirijo propõe-se também apostar numa estratégia de fomento da edição para deficientes. No tempo em que vivemos, a multiplicidade de meios tecnológicos ao nosso dispor permite-nos superar em larga escala as técnicas tradicionais de edição destinadas às pessoas com deficiências visuais, mentais ou físicas. Não podemos permitir que estes cidadãos sejam excluídos.

O sector livreiro e da edição há muito que reclama, a meu ver justificadamente, a publicação de dados estatísticos sobre o Livro. Estou em condições de anunciar que, a partir de Julho deste ano, o Ministério da Cultura, através do IPLB, em articulação com o Instituto Nacional de Estatística e com as associações representativas do meio, APEL e UEP, irá iniciar um estudo destinado à definição de modelos de levantamento da informação estatística relativa ao Livro, tanto ao nível da oferta editorial como das aquisições. Essa informação será actualizada e publicada com regularidade, através de suporte informático.

Por outro lado, vamos também trabalhar no sentido da elaboração de um estudo aprofundado sobre Hábitos de Leitura dos Portugueses. Este é um trabalho que surge enquadrado num outro grande projecto governamental, este partilhado entre a Cultura e os ministério da Educação e dos Assuntos Parlamentares: refiro-me ao Plano Nacional de Leitura, cuja apresentação pública está agendada para o próximo dia 02 de Junho.

Em 2007, lançaremos em Portugal um Prémio de Edição. Esta é outra novidade que tenho para vos anunciar. Trata-se de um galardão, instituído já em muitos outros países, que incide especificamente sobre a qualidade editorial, no plano gráfico, técnico e estético.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Não queria terminar estas minhas palavras sem me dirigir em especial aos escritores e autores de Língua Portuguesa, aqueles que, dedicando-se ao ofício da escrita, renovam e revigoram o nosso gosto pelos livros e pela leitura. A expressão literária, ensaística ou poética do nosso idioma deve ser, para todos nós, motivo de orgulho. Cada vez mais o nome de Portugal cruza fronteiras através do seu trabalho, da sua criação. São autores-embaixadores, os nossos escritores.

Considero portanto prioritário que se criem incentivos a uma maior promoção internacional do Livro e da Literatura Portuguesa, marcando presença em eventos relevantes, como Festivais e Feiras do Livro, ou reforçando programas de apoio à edição do Livro Português no estrangeiro, como sucede, com grande êxito, no caso do Brasil.

Não me alongo mais. Estou certa que, com esta Biblioteca agora aberta ao público, o espírito do Dia do Livro permanecerá vivo na Golegã durante todo o ano.

Obrigada a todos, muitos Parabéns e Boas Leituras!