Discurso da Ministra da Cultura Maria Isabel da Silva Pires de Lima na assinatura de Protocolo entre o Estado Português e José Berardo para a criação do Museu e da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea Colecção Berardo
Sua Excelência o Senhor Primeiro-Ministro, Engº José Sócrates Exmo. Senhor Presidente do CCB, Dr. Mega Ferreira
Exmo. Senhor Comendador José Berardo
Exmo. Senhor Dr. Renato Berardo
Este é um momento especial para o Ministério da Cultura, para o Governo e para o País. É um momento de congratulação e alegria em que selamos com o Comendador Berardo um acordo que havia sido sistematicamente protelado ao longo de dez anos.
Em pouco mais de quatro meses foi possível fechar um acordo que vai permitir fixar a Colecção Berardo em Portugal e, a partir de 863 peças dessa colecção, criar um núcleo permanente do Museu Colecção Berardo de Arte Moderna e Contemporânea em Lisboa.
A Colecção Berardo - é bom que os portugueses tenham disso consciência - é uma colecção de pintura de nível internacional, de resto muito cobiçada no exterior, e que inclui obras de autores de primeira grandeza da pintura do século XX. Quadros de Picasso, Miró, Dali, Francis Bacon, e Andy Warhol, entre muitos outros, estão nela representados; autores que, importa frisar, na sua maioria, não estavam até agora disponíveis nas colecções públicas dos museus portugueses.
É portanto uma grande vantagem para Portugal fixar uma tal colecção num museu nacional. Através dela o público português, e não apenas o de Lisboa, dado que à colecção será imprimida uma forte vocação de itinerância - na linha da política de descentralização cultural do MC - vai poder aceder a obras de arte que só poderia ter oportunidade de ver além fronteiras ou de forma virtual; com o apoio dos serviços educativos do novo museu, todos nós, e particularmente as crianças e os jovens teremos, com inegáveis vantagens, a possibilidade de fazer o percurso histórico da arte do século XX.
Com ela, contribuiremos em muito para a qualificação dos portugueses, outro dos eixos programáticos do MC e do Governo. Ainda há dias, a Conferência Mundial da UNESCO, exactamente aqui reunida, reiterou como imprescindível ao desenvolvimento humano e social, a educação pelas artes.
Na conferência de abertura, o cientista António Damásio enfatizou quanto a arte educa para a formação cívica e para a inovação: só quem acede à arte é capaz de reconhecer o potencial do que é inovador.
No esforço de qualificação dos portugueses e de afirmação da competitividade de Portugal na União Europeia e num mundo globalizado, como é sabido, a Cultura e as Artes têm já, e terão cada vez mais, um papel decisivo e insubstituível.
Complementarmente, o facto de ter sido possível sediar o Museu Colecção Berardo de Arte Moderna e Contemporânea no Centro Cultural de Belém, naquele que é um dos equipamentos culturais de elevada qualidade e de maior número de valências que possuímos em Portugal, constitui, igualmente, um instrumento estratégico de acção cultural com um enorme potencial.
O CCB, ao tomar parte activa na administração da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea Colecção Berardo, que se responsabilizará pela gestão do Museu, vai também poder explorar sinergias desta colecção para efeitos da sua própria programação, tal como o Museu beneficiará com a articulação com o CCB e com a sua elevada experiência técnica e vincada inserção nos circuitos internacionais da arte.
Todos estes aspectos contribuirão, em suma, para a internacionalização da cultura e dos artistas portugueses - outro dos eixos programáticos fundamentais da acção política do MC.
De resto, CCB e Colecção Berardo - importa lembrá-lo - são velhos conhecidos que têm sabido conviver, com vantagens mútuas, posto que, de há quase dez anos a esta parte, o CCB guarda e conserva, nas suas reservas, por protocolo sucessivamente renovado, a colecção Berardo.
O enriquecimento do CCB com o Museu Colecção Berardo de Arte Moderna e Contemporânea também contribuirá, em muito, para um objectivo do MC e do Governo: criar uma forte polaridade cultural e turística em Belém. A cultura constitui hoje um contributo precioso e imprescindível para a criação de atractividade turística e consequentemente, também por esta via, para o desenvolvimento económico do País.
Se o turismo é inquestionavelmente uma das nossas maiores fontes de riqueza, inquestionável é também que a Cultura constitui uma das suas mais fortes vertentes. O turismo cultural é hoje uma valência intrínseca ao turismo de qualidade que estamos a promover em Portugal.
O MC tem insistido na necessidade desta qualificação da oferta cultural e por isso tem apostado no reforço da política museológica, de que é exemplo não apenas o reforço orçamental para esse sector, que viveu em asfixia financeira nos últimos anos, reforço que é necessário acentuar, quanto a recente decisão de criar em Lisboa um pólo - aliás este igualmente muito cobiçado - do Museu Hermitage, o maior museu da Rússia e um dos mais conceituados do mundo.
As exposições que vamos passar a poder ver, regularmente renovadas, do Museu Hermitage, vão também ter um efeito qualificador e contribuirão fortemente para confirmar Portugal na rota internacional das grandes exposições de arte.
Temos, pois, hoje, um profundo e fundamentado motivo de júbilo: tornámos realidade um acordo que já tardava e que bem pode servir de inspiração para a congregação de esforços - neste caso públicos e privados - em benefício da cultura e do desenvolvimento de Portugal.
Estamos, por isso, todos de parabéns: o comendador Berardo pelo empenho patriótico que colocou na fixação da sua colecção em Portugal; as equipas envolvidas na construção deste acordo pela capacidade de concertação revelada; o Governo e o Sr. Primeiro Ministro pela determinação com que nele apostaram; e principalmente todos nós, Portuguesas e Portugueses, que com ele ficamos extraordinariamente beneficiados.